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Documento foi entregue ao Ministério Público nesta sexta-feira (17) pelo delegado do caso. Principal suspeito é o policial militar Cristiano Domingues Francisco, que está preso preventivamente.
A Polícia Civil concluiu e remeteu ao Ministério Público o inquérito que apurou o desaparecimento da família Aguiar, que não é vista há mais de 80 dias. Mesmo sem encontrar os corpos, os investigadores afirmam ter provas suficientes para indiciar Cristiano Domingues Francisco por feminicídio, duplo homicídio triplamente qualificado e outros crimes.
Silvana de Aguiar, 48 anos, e os pais dela, Isail, 69 anos, e Dalmira Germann de Aguiar, 70 anos, estão sumidos desde janeiro. No dia 24 de janeiro, Silvana sumiu. Um dia depois, 25 de janeiro, Isail e Dalmira foram vistos pela última vez. Cristiano é considerado o principal suspeito do caso.
Com a conclusão do inquérito, ele também foi indiciado por ocultação de cadáver, abandono de incapaz, falsidade ideológica, furto qualificado, fraude processual, falso testemunho e associação criminosa, além dos assassinatos. A pena máxima para esses crimes somam 102 anos de reclusão. Caberá ao MP decidir se oferecerá denúncia ao Judiciário.
A polícia realizou uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira (17) para apresentar a hipótese para a cronologia dos fatos e as provas encontradas.
Cronologia dos desaparecimentos
Os delegados responsáveis pelo caso entendem que Silvana foi morta entre a noite e a madrugada de 24 de janeiro em sua casa. Câmeras de monitoramento flagraram movimentações suspeitas de veículos.
polícia identificou que, neste momento, um celular que seria vinculado ao Cristiano se concectou na rede de wi-fi da moradia.
Após, às 21h28, um Ford Ka branco que seria de propriedade de Silvana ingressa no local e não sai mais. Nesse momento, o celular de Silvana também teria se conectado à rede. Às 23h32, o Fox vermelho retorna e sai às 23h45. Quando isso acontece, o celular de ambos se desconecta do wi-fi.
A polícia concluiu que Cristiano e Silvana estiveram no local no mesmo momento naquela noite e que Silvana teria sido morta em casa.
Às 3h19 da madrugada do dia 25, o Fox vermelho retornou brevemente à residência, para ir embora poucos minutos depois, às 3h22.
Uso de IA
Segundo as investigações, Cristiano teria utilizado inteligência artificial para simular a voz de Silvana e atrair seu pai, Isail, para a casa dela. O homem de 70 anos chega na casa às 16h28. Minutos depois, às 16h48, apenas Cristiano deixa o local.
A polícia aponta que ele teria novamente usado uma voz simulada de Silvana para entrar na casa do pais dela, onde teria encontrado a mãe, Dalmira. O casal não é visto desde então.
“Foi um crime tão bem planejado. Percebemos que essa montagem teatral para a atração dos idosos, ele já foi criado no dia 21, dias antes do fato. Ele prepara um telefone para utilizar neste crime, e prepara o pós-crime também, porque o telefone utilizado efetivamente como verdadeiro dele some dias depois, sob o pretexto de um acidente”, aponta o delegado Diego Traesel.
Outros indiciamentos
Outras cinco pessoas também foram indiciadas: a atual esposa do PM, por fraude processual, ocultação de cadáver, furto qualificado e associação criminosa; o irmão dele, por fraude processual, ocultação de cadáver e associação criminosa; a mãe e a sogra do PM por fraude processual e associação criminosa; e um amigo do PM, por falso testemunho, fraude processual e associação criminosa.
“Não encontramos subsídios de que os demais envolvidos tenham participado antes dos crimes. A materialização da conduta deles foi no sentido de tentar isentar o Cristiano daquela suspeita que recaía sobre ele”, disse o delegado Anderson Spier.
A polícia chegou a pedir a prisão preventiva de três desses suspeitos, além de Cristiano, mas foi negado pelo Tribunal de Justiça.
Inquérito de 20 mil páginas
A polícia aponta que a motivação do crime seria a disputa pela criação do filho do PM com Silvana, além de questões financeiras ligadas ao patrimônio da família Aguiar.
De acordo com a polícia, o inquérito tem 20 mil páginas entre depoimentos, diligências, relatórios, extrações e quebras de sigilo, que resultaram em mais de 10TB de documentos. Foram 16 celulares apreendidos, 17 nuvens de documentos (e-mails), cinco DVRs, 13 pendrives, cinco computadores e quatro HDs.
"Pessoas envolvidas tinham conhecimento de tecnologia policial. O autor do fato chegou a ter três telefones ativos. Criou telefone com ar de idoneidade com objetivo de atrasar as investigações e desviar o foco dele. Foi um crime tão bem planejado, ele faz uma preparação para o crime e prepara o pós crime também" , afirmou o delegado Diego Traesel.
Além disso, houve cinco prisões, 14 mandados de busca e apreensão e 37 quebras de sigilo. Nas oitivas, foram interrogados 6 suspeitos, 34 declarações de testemunhas e uma escuta sem dano.
Nesta semana, a perícia confirmou que o sangue encontrado na residência de Silvana pertencia a ela e ao pai dela.
"Eu sei que se criou esse mito de que sem a presença dos corpos não há materialidade, mas, na verdade, a gente já tem um vasto conteúdo que aponta no sentido de que a materialidade pode ser provada de forma indireta", afirmou o delegado Anderson Spier. "A prova disso, inclusive, é a decretação da prisão preventiva do autor, porque a prisão preventiva imprescinde da materialidade."
O que dizem as defesas
Cristiano Domingues Francisco: "A Defesa de Cristiano aguarda o encaminhamento do inquérito, sendo que, pela finalização das investigações, deverá ter acesso amplo e irrestrito a todos os procedimentos cautelares que se encontram em segredo de justiça, possibilitando um posicionamento mais assertivo."
Wagner Domingues Francisco: "A Defesa técnica de WAGNER DOMINGUES FRANCISCO, com o senso de responsabilidade que o momento exige, vem a público manifestar-se acerca do Inquérito Policial que apura as circunstâncias envolvendo o desaparecimento da família Aguiar, no município de Cachoeirinha/RS.
A Defesa tomou conhecimento, exclusivamente por intermédio da mídia e de coletiva de imprensa, da existência de 37 medidas cautelares, além de buscas, apreensões e indiciamentos, sem que lhe tenha sido assegurado, até o presente momento, acesso aos respectivos expedientes, circunstância que impede o pleno conhecimento das teses investigativas.
Importa destacar que as imputações até então divulgadas consistem, neste estágio, em meras hipóteses investigativas, ainda não submetidas ao contraditório, sendo o inquérito policial, por sua natureza, procedimento de caráter unilateral.
Reitera-se, por fim, que WAGNER DOMINGUES FRANCISCO sempre esteve, e assim permanecerá, à inteira disposição das autoridades. A Defesa aguarda o acesso integral aos elementos de prova para manifestação oportuna e aprofundada, confiante de que o devido processo legal conduzirá ao pleno esclarecimento dos fatos, com a consequente demonstração de sua inocência e a prevalência da Justiça."
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