02 de abril de 2026
Segurança

Cardiologista preso por suspeita de crimes sexuais no RS atuava há quase 30 anos e também atendia em cidades vizinhas

Polícia Civil já abriu inquéritos e ouviu o depoimento de 31 possíveis vítimas do médico. Segundo delegado, são pacientes e funcionárias que trabalharam com o homem.

Por G1/RS

Atualizado em 02/04/2026 | 18:05:00

O cardiologista Daniel Pereira Kollet, 55 anos, preso preventivamente por suspeita de crimes sexuais, é um rosto conhecido em Taquara, a cerca de 80 km de Porto Alegre, e municípios da região.

"Desenvolve a atividade dele há aproximadamente 30 anos, é renomado, benquisto", define o advogado que o representa, Ademir Campana. "Conhecido na cidade", endossa o delegado Valeriano Garcia Neto.

Com consultório próprio, o médico trabalhou em cidades como Igrejinha, Parobé, Sapiranga, Novo Hamburgo, todas vizinhas a Taquara. Ele está inscrito no Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) desde 1997.

A Polícia Civil já abriu inquéritos e ouviu o depoimento de 31 possíveis vítimas do cardiologista. Segundo o delegado Valeriano Garcia Neto, são pacientes e funcionárias que trabalharam com Kollet.

São apurados os possíveis crimes de importunação sexual, ⁠violação sexual mediante fraude, ⁠estupro e ⁠estupro de vulnerável. Ao final da consulta, ele pediria segredo às pacientes, de acordo com a investigação.

"A situação é grave e deve ser apurada com rigor. Se comprovados os fatos investigados pela polícia, todas as ações necessárias serão tomadas para punir os responsáveis", pontua o Cremers.

Nos últimos anos, Kollet também foi professor universitário do curso de Medicina da Feevale. A instituição de ensino afirmou ao g1 que ele ingressou em 2022 e deixou o quadro de docentes em 2023, sem qualquer vínculo atualmente.

A defesa nega as suspeitas levantadas contra o médico. Campana afirma que o profissional tem "conduta ilibada" e atuação "pautada pela ética, responsabilidade e compromisso".

A polícia estima que "dezenas de outras mulheres" possam ter sido vítimas do médico, diz o delegado. Denúncias anônimas pode ser feitas no telefone (51) 98443-3481.

Paciente de Porto Alegre relata medo

O g1 teve acesso a uma denúncia anônima surgida a partir da divulgação do caso. O fato teria ocorrido em um hospital de Porto Alegre durante a realização de um exame de ecocardiografia transtorácica.

"Quando sentei na maca, ele me abraçou e disse que, além de linda, eu era cheirosa. Nesse momento, encostou sua parte íntima na minha perna. Ressalto que eu estava despida na parte superior do corpo, como é necessário para a realização desse exame, o que aumentou ainda mais minha vulnerabilidade", relata a vítima, que preferiu não se identificar.

"Eu não reagi durante a situação por medo, surpresa e pela posição de vulnerabilidade em que me encontrava", complementa.

Este é o primeiro caso registrado na capital gaúcha, o que leva a polícia a ampliar o perímetro da investigação. "Ficou clara a intenção dessa vítima de nos alertar o caso em Porto Alegre também. Ele trabalhava em outros hospitais também", analisa o delegado.

Prescrição de medicação controlada

Segundo o delegado, uma das pacientes relatou à polícia que Kollet a prescreveu o uso de medicação controlada e pediu que ela retornasse ao consultório periodicamente.

"Foi abusada várias vezes, porque ele mandava voltar na clínica. Ele dopava a vítima e praticava estupros reiterados de forma sistemática. A vítima andava dopada, se arrastando. Ela está vulnerável, então configura estupro de vulnerável", explica Valeriano.

A mulher teria percebido que havia alguma coisa errada e levou uma familiar junto na consulta. "Nesse dia, ele não encostou um dedo nela", diz o delegado. A paciente buscou outro profissional, que afirmou que ela não tinha problema de saúde e não precisava tomar remédio.

Manifestação anterior da defesa

"Nosso escritório ainda não teve acesso ao inquérito que originou a prisão, contando, até o momento, apenas com informações preliminares. Em conversa com nosso cliente, este negou integralmente todas as acusações que lhe foram imputadas.

Trata-se de médico há quase 30 anos, com conduta ilibada, cuja atuação profissional sempre foi pautada pela ética, responsabilidade e compromisso com a saúde de seus pacientes.

Tão logo tenhamos acesso integral aos autos, nosso escritório emitirá nota oficial, que permitirá o completo esclarecimento dos fatos."

O que diz o Cremers

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) divulgou nota a respeito do caso (leia íntegra):

"O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) tomou conhecimento dos fatos, e medidas administrativas já foram tomadas para investigação do caso. A situação é grave e deve ser apurada com rigor. Se comprovada a denúncia, todas as ações necessárias serão tomadas para punir os responsáveis."

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