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Durante operação, polícia encontrou medicamentos vencidos, adulterados, sem procedência e anabolizantes ilegais em uma farmácia na qual ele era proprietário. Além dele, outros dois homens também foram
Ronaldo Martins dos Santos, apontado pela Polícia Civil como o maior traficante de medicamentos do Paraná, foi condenado a 32 anos de prisão.
Durante uma operação, em março de 2024, a polícia encontrou medicamentos vencidos, adulterados, sem procedência e anabolizantes ilegais em uma farmácia na qual ele era proprietário.
Além dele, José Fernando Martins dos Santos, apontado como sócio-administrador do estabelecimento, e Fabrício Maciel Pereira, indicado como farmacêutico responsável técnico, foram condenados a 22 anos de prisão cada.
Todos os três poderão recorrer em liberdade. O g1 procurou a defesa deles, que optou por não se manifestar.
Segundo a sentença, todos os réus foram condenados pelos crimes de:
Associação criminosa
O caso chegou às autoridades após uma mulher procurar a Delegacia de Repressão à Crimes Contra a Saúde. Na época, ela relatou que era viciada em fentanil – opioide utilizado como medicação para a dor – e comprou diversas ampolas do medicamento com um dos homens. Com isso, a mulher criou uma dívida com o farmacêutico e ele passou a ameaçá-la.
Conforme a delegada Aline Manzatto, responsável pelas investigações, o homem chegou a vender cada dose de fentanil por até R$ 10 mil.
"Ele passou a ameaçá-la dizendo que era policial, que andava armado, que tinha matado muita gente e que acidentes aconteciam. Além disso, como juros, ele dizia para ela que ela podia mandar nudes para ele ou fazer favores sexuais", afirmou, na época, a delegada.
Crime contra as relações de consumo – venda de produto impróprio
Venda de medicamentos sem identidade e qualidade
Venda de suplementos adulterados
Venda de produtos de procedência ignorada
Comercialização de anabolizantes sem registro
"A quantidade e diversidade de irregularidades encontradas (medicamentos vencidos, adulterados, sem procedência, anabolizantes ilegais) indicam organização minimamente estruturada, com atuação reiterada e consciente, voltada à prática de múltiplos delitos. Não se trata de coautoria pontual, mas de associação estável para fins criminosos", diz o documento.
A sentença determinou também a incineração dos produtos apreendidos.
Na ocasião, a polícia cumpriu um mandado de prisão e de busca e apreensão na farmácia na qual ele era dono, na sobreloja do estabelecimento, na casa dele e em uma chácara em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba.
Na chácara a corporação encontrou ampolas de morfina e outras medicações injetáveis de uso restrito a hospitais e de venda proibida ao comércio.
Na sobreloja da farmácia havia quatro salas com medicações vencidas, chegando a centenas delas, entre as quais remédios controlados e antibióticos. Os agentes localizaram também testes vencidos de HIV, Covid-19 e dengue.
"Tais medicamentos estavam armazenados de forma misturada aos produtos comercializáveis, o que evidenciava risco concreto ao consumidor e habitualidade delitiva", aponta a sentença da condenação.
Segundo a polícia, o homem falsificava a data de validade dos medicamentos. Para isso, ele cortava a data de validade original e colocava um selo da farmácia por cima. Em outro lugar da caixa do medicamento o homem colocava uma data falsa.
Dias depois, a polícia encontrou três containers lotados de medicamentos vencidos, de uso hospitalar ou com tarja preta, também em Piraquara.
Os containers ficavam em um espaço usado para aluguel de espaço para armazenamento. A polícia chegou até lá após uma denúncia realizada depois da prisão de Ronaldo. Segundo a polícia, os medicamentos não tinham procedência de origem e estavam armazenados de maneira inadequada.
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