17 de abril de 2026
Segurança

Acusado de matar bailarina Magó em cachoeira do PR vai a júri popular após STF negar recurso da defesa

Data de julgamento de Flávio Campana será definida pela Vara Criminal de Mandaguari, no norte do estado. Defesa dele não pode mais recorrer da decisão.

Por G1/SC

Atualizado em 17/04/2026 | 18:10:00

Flávio Campana, acusado de matar a bailarina Maria Glória Poltronieri Borges, conhecida como Magó, em uma cachoeira de Mandaguari, no norte do Paraná, vai a júri popular. A decisão é do Supremo Tribunal Federal (STF), que não aceitou o recurso apresentado pela defesa do réu.

De acordo com o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), a data do julgamento será definida pela Vara Criminal de Mandaguari, comarca onde o Tribunal do Júri será realizado.

Campana é réu por homicídio qualificado, estupro e ocultação de cadáver. O processo está sob sigilo de Justiça.

Em março de 2023, o TJ-PR determinou que Campana deveria ser submetido a júri popular. A defesa recorreu da decisão algumas vezes, mas os recursos foram negados.

Diante das negativas, Bruno Macedo, advogado de Campana, recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) em abril de 2024. Meses depois, o STJ manteve a decisão de que Campana deve ser submetido ao Tribunal do Júri.

Mais uma vez, a defesa recorreu a uma instância superior para evitar o julgamento de Campana e levou o caso ao STF. A definição foi publicada neste ano, quando a Suprema Corte negou o recurso e o caso transitou em julgado - momento em que uma decisão judicial se torna definitiva, não cabendo mais recurso.

O Ministério Público do Paraná (MP-PR), que acompanha o andamento do caso, explicou que o processo já retornou à Comarca de Mandaguari e está em fase de levantamento de testemunhas. Também está sendo analisada a necessidade de eventuais diligências complementares por parte do MP e da defesa.

Israel Batista de Moura, assistente de acusação e advogado da família da Magó, disse que espera que o julgamento pelo Tribunal do Júri seja marcado para acontecer ainda neste semestre.

O g1 aguarda retorno da defesa de Campana.

Maria Glória Poltronieri Borges tinha 25 anos quando foi assassinada. Magó, como era conhecida, era bailarina, atriz e professora de capoeira.

Ela também era aluna do curso de Artes Visuais da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Durante a carreira artística, Magó atuou em projetos artísticos na região de Maringá, com participação em espetáculos, ações formativas e iniciativas culturais locais.

Como ela foi assassinada?

Magó foi encontrada morta perto de uma cachoeira, em janeiro de 2020. De acordo com a família da jovem, ela tinha ido ao local rezar e se reconectar com a natureza.

Segundo o delegado Zoroastro Nery do Prado Filho, a irmã da bailarina foi quem encontrou o corpo dela em uma trilha.

Um dos laudos periciais da época descreveu que Maria Glória tentou se defender antes de ser morta. O corpo dela apresentava marcas roxas nos braços, ombro e cintura. O laudo também apontou que o assassinato ocorreu cerca de dez horas antes de o corpo ser encontrado.

Além disso, a Polícia Científica informou que Magó foi morta por asfixia e que o corpo dela apresentava sinais de violência sexual.

Como a investigação chegou até o acusado?

Em um mês, mais de 50 pessoas foram ouvidas pelas polícias de Mandaguari e Maringá. Durante a investigação, Flávio Campana já era monitorado pela corporação. Ele e Magó não se conheciam.

Na época, materiais genéticos encontrados nas roupas e no corpo de Maria Glória foram encaminhados para a Polícia Científica, em Curitiba. Após a análise, foi confirmado que o material encontrado é de Campana.

No mesmo dia em que o resultado foi divulgado, um mandado de prisão contra ele foi expedido. Flávio Campana foi preso em fevereiro de 2020, em Apucarana.

O suspeito apresentava várias marcas de arranhão pelo corpo. Segundo a polícia, essa seria uma prova de que ele entrou em luta corporal com a bailarina.

"Não há dúvida nenhuma sobre a participação desse homem na morte de Maria Glória, o exame deu 100% compatível com os materiais genéticos encontrados no corpo e na calcinha da vítima", afirmou o delegado de homicídios de Maringá, Diego Almeida.
Conforme a polícia, Campana já foi condenado por estupro em 1998 e tem várias passagens por agressão a mulheres.

O que o acusado disse em depoimento?

No primeiro depoimento que prestou à polícia, no dia 4 de fevereiro, Campana relatou que não tinha visto Magó na cachoeira. Ao ser questionado sobre algumas lesões nos braços, ele disse aos investigadores que as marcas eram de machucados antigos.

Entretanto, após ser preso e confrontado com o resultado do exame de DNA encontrado nas roupas e no corpo da bailarina, o acusado afirmou ter feito sexo com consentimento da vítima e negou o homicídio.

"Desde o início das nossas investigações nós estávamos em contato com ele e, por várias vezes, ele negou qualquer contato com a Magó. Só depois de ser confrontado com o exame de DNA é que ele acabou alegando que praticou sexo com ela", disse o delegado.

 

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